MOFO BRANCO NA SOJA: COMO IDENTIFICAR, PREVENIR E CONTROLAR UMA DAS DOENÇAS MAIS DESTRUTIVAS DA LAVOURA

Quando as condições climáticas se alinham, o prejuízo já pode estar acontecendo. O mofo branco é uma doença silenciosa, agressiva e capaz de comprometer significativamente o potencial produtivo da lavoura de soja. Por isso, entender seu ciclo, identificar os fatores de risco e agir no momento correto são etapas fundamentais para um manejo eficiente.

 


Neste artigo, você vai entender como o mofo branco se desenvolve, quais são os períodos de maior vulnerabilidade da cultura e quais estratégias realmente ajudam a proteger a produtividade.

O que é o Mofo Branco?

Figura 1 – Processo de infecção carpogênica (por ascósporos originados de apotécios) e colonização de Sclerotinia sclerotiorum em plantas de soja. Fotos: David de S. Jaccoud Filho. Fonte: Reproduzido de Mofo Branco, de David De S. Jaccoud Filho, Luciane Henneberg e Edilaine M. G. Grabicoski. Editora Toda Palavra.

O mofo branco é uma doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, um dos patógenos mais desafiadores para o manejo em diversas culturas, especialmente na soja.

Seu alto potencial destrutivo pode provocar perdas severas quando as condições ambientais favorecem sua ocorrência e o controle não é realizado de forma integrada.

Entre os principais sintomas estão:

  • Murcha repentina das plantas;
  • Lesões esbranquiçadas no caule;
  • Apodrecimento dos tecidos;
  • Formação de escleródios (estruturas de resistência do fungo);
  • Interrupção do fluxo de água e nutrientes na planta.

Quando o ataque ocorre em áreas de alta pressão da doença, os impactos podem ser significativos tanto na produtividade quanto na qualidade dos grãos.

Como o Ciclo do Mofo Branco Começa?

Figura 2 – Ciclo do fungo Sclerotinia sclerotiorum em plantas de soja e canola, proposto por Grabicoski (2016). Fonte: Grabicoski (2016), reproduzido de Mofo Branco, de David De S. Jaccoud Filho, Luciane Henneberg e Edilaine M. G. Grabicoski. Editora TodaPalavra.

O primeiro passo para controlar a doença é entender seu ciclo.

 

Tudo começa no solo, onde os escleródios permanecem viáveis por longos períodos. Essas estruturas de resistência podem sobreviver por mais de cinco anos aguardando condições favoráveis para germinar.

Quando encontram:

  • Alta umidade;
  • Solo úmido por períodos prolongados;
  • Temperaturas amenas entre 15°C e 25°C;

Os escleródios germinam e formam os apotécios, pequenas estruturas responsáveis pela liberação dos ascósporos.

Esses esporos são facilmente dispersos pelo vento e podem atingir grandes áreas da lavoura.

Um detalhe que merece atenção

Um único escleródio pode gerar milhares de ascósporos, aumentando rapidamente o potencial de infecção quando o ambiente é favorável.

Quando o Risco de Mofo Branco é Maior?

Figura 3 – Escleródios (estruturas de resistência) de Sclerotinia sclerotiorum de diferentes tamanhos (inteiros e seccionados ao meio), com diferentes números de apotécios formados. Foto: David de S. Jaccoud Filho. Fonte: Grabicoski (2016), reproduzido de Mofo Branco, de David De S. Jaccoud Filho, Luciane Henneberg e Edilaine M. G. Grabicoski. Editora Toda Palavra.

O período crítico para infecção ocorre entre o início da floração (R1) e o início da formação de vagens (R4).


Nessa fase, as flores da soja desempenham um papel importante no desenvolvimento da doença.


As pétalas senescentes servem como fonte de alimento para os ascósporos, permitindo que o fungo se estabeleça e inicie a colonização da planta.


Além disso, o fechamento precoce das entrelinhas cria um microclima com:

  • Alta umidade relativa;
  • Menor circulação de ar;
  • Condições ideais para a germinação e desenvolvimento do fungo.

Por isso, monitorar a lavoura durante esse período é essencial para decisões assertivas de manejo.

Quais Condições Favorecem o Mofo Branco?

O desenvolvimento da doença está diretamente ligado à interação entre ambiente, hospedeiro e patógeno.

Os principais fatores de risco incluem:

Umidade elevada

Períodos prolongados de molhamento foliar favorecem a germinação dos esporos.

Temperaturas amenas

Faixas entre 15°C e 25°C são ideais para o desenvolvimento do fungo.

Histórico da área

Lavouras com presença anterior de mofo branco tendem a apresentar maior pressão da doença devido à permanência dos escleródios no solo.

Fechamento rápido do dossel

A redução da circulação de ar aumenta a umidade interna e cria condições favoráveis à infecção.

Como Fazer o Controle do Mofo Branco na Soja?

O controle eficiente depende de uma estratégia integrada. Não existe uma solução isolada capaz de resolver o problema de forma definitiva.

O sucesso está na combinação de práticas preventivas e corretivas.

1. Utilização de sementes certificadas

O uso de sementes livres de escleródios evita a introdução do patógeno em novas áreas.

2. Rotação de culturas

Alternar culturas hospedeiras com espécies não hospedeiras contribui para reduzir a população do fungo no solo.

3. Cobertura eficiente de solo

A manutenção da palhada pode dificultar a formação dos apotécios e reduzir a dispersão dos esporos.

4. Controle biológico preventivo

Ferramentas biológicas ajudam a diminuir a sobrevivência dos escleródios e devem fazer parte de programas de manejo integrado.

5. Aplicação de fungicidas no momento correto

No mofo branco, timing é tudo.

Aplicações preventivas realizadas durante o período de maior risco tendem a apresentar melhores resultados do que intervenções tardias.

Por Que o Timing é Decisivo?

Diferentemente de outras doenças, o mofo branco frequentemente já está instalado quando os sintomas se tornam visíveis.


Por isso, esperar os primeiros sinais para iniciar o controle pode significar perda de eficiência e aumento dos danos econômicos.


O manejo deve ser baseado em:

  • Histórico da área;
  • Monitoramento climático;
  • Estágio fenológico da cultura;
  • Nível de pressão da doença na região;
  • Recomendações técnicas especializadas.

 

Cada talhão possui características próprias e exige uma estratégia ajustada à sua realidade.

Como Evitar Perdas de Produtividade?

A proteção do potencial produtivo começa antes mesmo da ocorrência da doença.


Produtores que adotam uma abordagem preventiva conseguem:

 

  • Reduzir a incidência do mofo branco;
  • Diminuir perdas produtivas;
  • Melhorar a eficiência dos fungicidas;
  • Preservar o teto produtivo da lavoura;
  • Aumentar a rentabilidade da operação. 

Conclusão

O mofo branco é uma doença complexa que exige conhecimento técnico, monitoramento constante e decisões rápidas. Entender o ciclo do fungo, reconhecer os períodos críticos e adotar um manejo integrado são os pilares para manter a lavoura protegida.

 


Quando ambiente, patógeno e hospedeiro encontram as condições ideais, o dano pode começar antes mesmo de ser percebido. Por isso, antecipação é a palavra-chave.

Por: Mauro Deon Gerente de Desenvolvimento de Mercado - Vaccaro Agronegócios